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29 de maio de 2015

Sobre o filme The DUFF: Quando teremos um longa adolescente sem rótulos ou sem julgamentos de aparências?

Por Girls With Style / gws@girlswithstyle.com.br

Por Taís Bravo:

*Aviso: Esse texto contém spoilers do filme The DUFF, mas fique tranquila, se você já viu um filme que se passa em um High School americano, você já conhece essa história.

duff

Não há nada de novo na trama do patinho feio ou da garota estranha, alternativa, das artes – que geralmente é interpretada por uma atriz que se enquadra direitinho nos padrões de beleza, a não ser, talvez, por ter um rosto levemente redondo e usar umas roupas “diferentes”. A missão desse tipo de narrativa é sempre a mesma: transformar a garota estranha e inadequada socialmente em uma garota legal. Essa transformação só ocorre quando essa garota é escolhida por um garoto que representa tudo que há de mais adequado socialmente, porque, além do seu gênero, ele é branco, loiro e forte. É somente quando o garoto popular decide que a garota não é estranha, mas diferente, ou melhor, “especial” que a existência dessa garota ganha validade.

The DUFF – um filme dirigido por Ari Sandel baseado no livro homônimo de Kody Kepplinger que a autora desse texto ainda não leu – cumpre perfeitamente essa antiga trama. Bianca, interpretada por Mae Whitman, é o patinho feio de um trio de amigas e por isso carrega silenciosamente o rótulo de DUFF que é sigla para Designated Ugly Fat Friend – não sei muito bem como traduzir esse horror para o português, mas é algo como a amiga feia e gorda que serve para intermediar o contato entre os caras e suas amigas gatas. No entanto, ser a DUFF de um grupo não é algo explícito, é mais como uma prática inconsciente. Bianca não sabe que é uma DUFF, é um garoto, O Garoto Popular, que lhe informa esse fato. A princípio ela entra em choque até que constata que é verdade: Suas amigas são mesmo mais altas, magras e bonitas; todos os garotos que se aproximam dela na verdade querem saber de suas amigas; ela é a estranha, diferente, feia e gorda. Os passos seguintes são óbvios. Ela resolve que não quer ser uma DUFF e se afasta de suas amigas. O Garoto Popular lhe ensina como ser uma garota mais atraente, mostra como ela deve se vestir, qual sutiã de enchimento ela deve usar e como flertar – tudo de um modo bem leve e engraçado que até nos faz esquecer quão surreal é ter lições de como agradar os homens. Os acontecimentos seguintes seguem o fluxo normal desses filmes: Ela sofre bullying, ele é um babaca, ela sofre, ela se reaproxima das suas amigas, ela tem um insight sobre como todos estão na mesma merda que é o colégio e no fim somos todos DUFF, tem um baile de formatura, um beijo na frente do colégio todo, aquele momento mágico em que a estranha na turma se torna a escolhida pelo Garoto Popular, enfim, o final feliz.

Há algo muito perverso nessas histórias em que uma garota é escolhida na frente de todo o colégio para ser a namorada do Garoto Popular – ou do Garoto Rebelde. Basicamente, esses filmes nos ensinam que você pode ser o que quiser, pode ser diferente de todo mundo do seu colégio, pode ser estranha, pode ser gorda – opa, mais ou menos, afinal, por que não escolhem uma atriz gorda para representar esses papéis? – , desde que o que você é seja considerado atraente por pelo menos um garoto. Todos esses filmes celebram as identidades que fogem do padrão, mas deixam bem claro que há uma condição para isso: Se você é uma garota, sua individualidade só pode ser respeitada se for de algum modo agradável ou atraente.

Também é bastante problemática essa imagem da garota diferente que ao longo do filme se torna especial justamente porque ela não é como as outras. Afinal, como são as outras? Por que afinal, quem é a mulher que cabe exatamente no padrão de normalidade imposto ao seu gênero? Acredito que não existe essa mulher, principalmente, porque esses padrões são caducas.

Podemos pensar em alguns nomes de mulheres consideradas exemplares, pelo menos de acordo com o padrão de beleza, Beyoncé, Kim Kardashian, Gisele… E sempre vai ter alguém para apontar uma falha. A normalidade que esperam das mulheres é construída em limites impossíveis de se enquadrar: é preciso ser bonita, mas não vaidosa; é preciso ser magra, mas mulher de verdade tem que ter uma carne pra pegar; é preciso ser inteligente, mas não convencida; é preciso ser guerreira, mas mulher ambiciosa demais ninguém quer; é preciso ser sexy, mas tem que ter noção para não ser vulgar; é preciso ser uma mãe boa e respeitável, mas não pode viver em função da maternidade e por aí vai… Rótulos só servem para alimentar esses limites ilógicos. Quando Bianca se aceita como diferente, suas amigas lhe confortam dizendo que ela é a mais inteligente do grupo e mais um estereótipo sem sentido é afirmado: As garotas bonitas são burras, você pode até não ser gata, mas é inteligente. Que tipo de conforto é esse? No que isso ajuda nas vidas das mulheres?

Mas, para mim, o que é mais ofensivo nesse filme é a sua gordofobia explícita. Em suas escolhas o filme silencia as garotas gordas, por que claramente considera que a palavra “gorda” é sinônimo de uma ofensa, segundo essa narrativa, se você é chamada de gorda, você necessariamente está sendo xingada. Enquanto associarmos ser gorda a algo depreciativo estaremos todas nos machucando por mais um padrão inventado. O fato é que tamanho não importa ou não deveria importar, não é o peso ou a medida que define qualquer coisa sobre alguém, no entanto, isso se torna uma questão a partir do momento em que só um tipo de corpo é representado na mídia. Atualmente, vivemos um momento em que, graças à internet, mulheres gordas estão conquistando com muito esforço mais espaço na mídia, porque são suas próprias mídias através de selfies, páginas no facebook e blogs. Garotas como Nadia Aboulhoson, Tess Holiday, Jéssica Ipólito e Juliana Romano estão expondo seus corpos pelas redes sociais e forçando a grande mídia ultrapassada a reconhecer que eles existem, sim, e não serão definidos por rótulos ofensivos. Ao reproduzir esses rótulos, The DUFF expõe um cinismo dentro de sua própria narrativa que, ao dizer que somos todas iguais, somos todas a amiga feia e gorda de alguém, não estimula ou valoriza as diferentes identidades das mulheres, mas demonstra como o filme se alinha a padrões e normas sexistas que sempre nos silenciam.

Sigo esperando um filme em que garotas adolescentes sejam protagonistas de suas vidas sem se dividirem em rótulos ou serem julgadas por suas aparências. Enquanto isso não acontece, continuo assistindo My Mad Fat Diary.

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28 de maio de 2015

Conheça as jóias lindas e mágicas da Fernanda Grizzo

Por Nuta Vasconcellos / nuta@girlswithstyle.com.br

Quando eu criei o GWS como site, uma das ideias que eu tinha muito forte era ter um espaço para garotas mostram seu talento e seus trabalhos. Por isso, desde o primeiro post, lá em 2008, fomos abertas a colaboração de texto, arte, fotos e o que mais desse na telha de meninas incríveis e talentosas. Quando “esbarro” por aí com talentos como o da Fernanda, fico muito feliz de ter esse espaço para divulgar e fazer com que o trabalho dela dela atinja mais pessoas.

Eu estava de bobeira no facebook quando surge na minha timeline uma foto maravilhosa de mãos “sujas” com anéis lindos com símbolos astrológicos e de planetas. Me apaixonei na hora e fui pesquisar mais sobre aquela imagem. E foi assim que conheci a designer de jóias mineira Fernanda Grizzo.

Ela nasceu em Uberlândia, Minas Gerais, mas já rodou muito o Brasil  por conta das transferências do trabalho do  pai. Atualmente ela está em São Paulo, décima primeira cidade que mora. Talvez por nunca parar em nenhum lugar da Terra, Fernanda se conectou tanto com os astros. Mas antes de decidir que queria ser designer de jóias, ela fazia psicologia e apesar de amar o curso, não se via sendo psicóloga e precisava encontrar uma profissão que desse a possibilidade de trabalhar com as mãos, de traçar sua trajetória sem necessariamente estar em um lugar fixo. Foi assim que escolheu a joalheria, e começou o curso no Instituto Europeo di Design em São Paulo, um curso que engloba desde a confecção manual das peças ao desenho, modelagem em 3D, criação de coleções, estudo de tendências, marketing e gemologia. É um curso bem completo para a formação de uma designer e não apenas uma ourives. Hoje ela faz jóias sob encomenda e também atende com uma loja online no faceboook e um instagram onde posta fotos do processo de confecção das peças.

Fernanda-Grizzo-

Ela trabalha principalmente com prata e outros metais como ouro, latão e alpaca, e sempre tenta trazer simbologias e energias para fortalecer, inspirar e dar suporte para quem compra. Tudo envolvido em um clima de magia, ocultismo, mitologia e elementos da natureza. “Tento sempre fazer a cliente lembrar do seu próprio poder e do poder do mundo que a cerca, usando a energia das pedras para balancear problemas e símbolos para fortalecer desejos”, diz Fernanda. Quando uma cliente tem algum problema específico ela pesquisa sobre as propriedades das pedras e escolhe a que melhor vai ajudar naquele momento. Incrível, né? Além disso, toda compra acompanha a tiragem de uma carta de tarô, como um conselho para o momento atual. Ou seja, você não está só comprando uma jóia bonita. Está sendo envolvida em um universo cercado de energias. Aliás as energias são essenciais no trabalho da Fernanda e ela mesma conta um pouco sobre isso:

“A natureza, a mitologia, as vertentes da magia e do conhecimento espiritual e religiões acabam me inspirando muito, são temas enormes, que carregam consigo todo o potencial de nos ajudar a encontrar nossa verdadeira vontade, e com isso levar vidas mais plenas e honestas com nós mesmo. Esse é um ponto crucial para mim, viver uma vida honesta consigo mesmo, por isso eu sempre tento usar os poderes e as propriedades das pedras para ajudar nos momentos de cada cliente, e tento trazer simbologias que evoquem o essencial, o que está por dentro, e por fora, a nossa conexão com a vida, a natureza e o sagrado. Despertar para si mesmo é uma revolução.”

Aposto que você já está morrendo de amores pelo trabalho da Fernada! Tô certa?

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27 de maio de 2015

Clube da Música GWS #2: Uh Lá Lá!

Por Marie Victorino / marie@girlswithstyle.com.br

Oi gente! Vamos pra nossa segunda edição do #ClubeDaMúsicaGWS? Tem algumas bandas na minha cabeça que eu ando querendo ouvir mais, conhecer melhor. Algumas outras me indicaram e também me despertaram interesse. Zerar essa lista não vai ser tarefa fácil, até porque, ela vai crescendo né… Mas nosso clubinho vai me ajudar a realmente parar pra ouvir essa galera ~jovem~ e talentosan.

clube-da-música-blog

Decidi fazer esse segundo com a banda Uh Lá Lá! Elas são de Curitiba e lançaram o primeiro CD ”Volume Dez” em 2011, com 10 faixas. Já participaram de vários festivais pelo Brasil, programas na MTV e recentemente estiveram no programa Experimente do Canal Bis (e estão concorrendo ao Prêmio Multishow na categoria: Experimente).

falei delas em um vídeo de dicas que fizemos, mas confesso que não voltei a ouvir desde então. Ficou só ali, na lista de bandas (vocês também tem listas de filmes, bandas, séries?). Eu conheci a Uh Lá Lá! através do meu namorado, que conhece a vocalista/baixista e me levou em um show delas no Circo Voador, em que abriram pro Ira. Eu fiquei bastante impressionada. O show é bem amarradinho, cheio de energia e atitude, além de que algumas músicas grudam na cabeça. Saí de lá, fomos pra casa de um amigo em comum e eu bati um papo rápido com a Andreza (baixo) e a Babi (batera), entreguei uns fanzines pra elas e foi isso. Depois, fui procurar saber mais, vi uns clipes no youtube, mas como eu disse, não parei pra ouvir mais. Agora me parece uma ótima “oportunidade” pra conhecer mais ~a fundo~. Vamos nessa, então?

Aqui tá o link do evento no Facebook pra quem quiser participar!

♥ Clipe de “Remédio”:

Links da banda: Site // YouTube // Facebook // Twitter

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26 de maio de 2015

5 Coisas que não dou a mínima: Jarid Arraes

Por Girls With Style / gws@girlswithstyle.com.br

Jarid Arraes tem apenas 24 anos e já é uma das mulheres/ feministas mais respeitadas dessa internet. Sua capacidade de escrever tão bem e com tanta clareza sobre como seria esse mundão de Deus mais justo e igualitário talvez seja porque ela tem sol, lua e muito mais em aquário.

Jarid-Arraes

Ela nasceu no interior do Ceará, em Juazeiro do Norte, mas se  mudou para São Paulo em janeiro desse ano, porque a demanda de trabalho e presença pelas bandas do sudeste estava grande. Hoje, Jarid trabalha na Revista Fórum, onde também tem a coluna incrível chamada “Questão de Gênero”. Ela também faz cordéis, que para quem não sabe, são quase como fanzines, folhetos contendo poemas populares. Os poemas de cordel são escritos em forma de rima e alguns são ilustrados, e Jarid tem mais de 30 títulos publicados e muito em breve, pelos próximos meses, vai publicar dois livros! Se isso tudo já não fizesse dessa mina foda e ocupada, ela ainda estuda psicologia, é  ativista feminista, fundadora do FEMICA (Feministas do Cariri) e fez parte do Pretas Simoa (Grupo de Mulheres Negras do Cariri). Quer saber as 5 coisas desimportantes para Jarid? Confere aí!

1) Autoridades 

Desde criança, nunca achei que alguém deveria ser mais respeitado ou que nunca deveria ser questionado só por ter algum título de autoridade. Dá pra imaginar que por isso fui parar muitas vezes na direção da escola. Agora que sou adulta, não é exatamente impossível que eu seja presa por desacato. Sou alérgica a hierarquias.

2) Padrões musicais 

Não que eu seja eclética, mas há muito tempo deixei de me importar com o status da musica que eu ouço. Gosto de ópera, heavy metal e funk com o mesmo entusiasmo com que eu ouço Lady Gaga e Britney Spears. A vida é muito curta pra fingir que só escuto o que algumas pessoas consideram refinado. Música de boa qualidade é a que provoca sentimentos – seja te deixando emocionada ou com vontade de dançar.

3) Grifes 

Como sou gorda, já é difícil achar roupas que caibam. Isso me tornou bem crítica quanto a essa história de roupas de marca e grifes. Então, minha rejeição por coisas caras só por causa do nome que levam se estende pra absolutamente tudo. Só o fato de algo custar muito já me causa aversão – não acho que coisas boas sejam necessariamente coisas com preço alto e não estou disposta a ser outdoor ambulante de ninguém.

4) Roupas íntimas 

Sou a rainha das calcinhas desbotadas, manchadas de água sanitária e sem elástico. Recentemente, também descobri as cuecas masculinas, que são muito mais confortáveis – especialmente as boxers. Além de me sentir bem mais a vontade, economizo dinheiro desse jeito, pois eu simplesmente não me importo.

 5) Maternidade 

Acho muito importante falar sobre maternidade e defender as reivindicações das mulheres que são mães; eu gosto de crianças – desde que sejam dos outros. Eu não quero ser mãe e gostaria muito de prevenir isso até cirurgicamente. Tenho outras prioridades e outras escolhas para a minha vida.

Pra acompanhar Jarid Arraes: Site// Instagram// Facebook // Coluna Questão de Gênero 

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21 de maio de 2015

Empatia e respeito pela vivência diferente: Discordar de uma pessoa não significa lutar contra ela.

Por Girls With Style / gws@girlswithstyle.com.br

 

Por Pollyana Assumpção:

o feminismo não te obriga a nada!

Sempre digo que feminismo pra mim é uma questão de reconstrução diária. Vejo minhas ideias de hoje em dia e fico me perguntando como podia ser tão equivocada há apenas dois anos. Vejo até certos textos que escrevi aqui pra vocês há apenas um ano e me vejo tão diferente hoje em dia. Tenho algumas questões bem mais consolidadas na minha mente, alguns posicionamentos bem mais fincados no meu idealismo e tenho me importado bem menos com questões pessoais e bem mais com questões de classe. Porque nós mulheres somos uma classe, não se engane. Não existe pra mim individualidade numa sociedade que nos enxerga como massa. Dito isso, gostaria de dizer como tem sido pra mim assustador ver o movimento feminista lutar contra si mesmo e ver muito mais ódio que luta.

Acredito que antes de qualquer coisa somos seres humanos e isso já é o suficiente para que tenhamos respeito pelo próximo, suas vivências e experiências. Discordar de uma pessoa não significa lutar contra ela. Discordar de um posicionamento teórico ou prático não justifica a agressão e a violência. Porém discordar de alguém não justifica o silenciamento também. Não gosto de frequentar grupos online de feminismo porque acho que se perde muito tempo tentando derrubar discursos e discutindo sobre quem está certa. Todos os grupos que já fiz parte tinham brigas diárias por causa de discordâncias e tenho muito pouco tempo pra perder dessa forma. Algumas grandes fanpages feministas viraram apenas points para discurso de ódio. Quando foi que as mulheres começaram a rachar umas as outras?

Vamos lá gente, acho que a primeira coisa que devemos ter pela companheira é empatia e respeito pela vivência diferente. Se a moça gorda foi lá e falou sobre como é difícil ser gorda, não faz a babaca e diz que também é difícil ser magra. Não confunda bullying com opressão e rejeição social. Aceita o discurso e aprenda um pouco com ele. Não se valha de uma experiência que você desconhece e fale sobre ela porque leu, conhece alguém ou ouviu falar. Não seja aquela menina egoísta que ouve alguém falar de um sofrimento e responde com “eu também sofro muito”. Respeita as minorias dentro da nossa minoria, respeita as vivências, respeita a experiência, respeita o discurso.

Ao mesmo tempo me preocupa muito ver moças iniciantes no feminismo sendo completamente maltratadas por outras mais antigas e sem paciência. Veja bem, ninguém aqui é obrigada a ensinar nada a ninguém não, sabe? Mas precisa mesmo rachar mina com dúvida boba ou com visão deturpada do que é ser feminismo? Precisa mesmo tanto ódio, tanto discurso violento, tanto racha com quem pensa diferente? Primeiro que todo mundo um dia já esteve equivocada. Ninguém aqui acordou feminista e entendedora de direitos humanos. Muito nos foi ensinado e dito e lembrem disso antes de responder “procura no google” como já vi muitas fazerem com meninas novas no rolê. Segundo que feminismo não é guerra de vertente ou pelo menos não deveria ser. Cada uma se alinha com a vertente que mais se identifica, porque antes de tudo feminismo é sobre experiência pessoal. Então para com os ataques porque a outra moça se identifica com outras ideias. Citando Jogos Vorazes: lembre-se de quem é o inimigo de verdade.

Sabe, eu acho que podemos discordar umas das outras na forma de ver detalhes mas não precisamos nos agredir. Eu mulher branca, heterossexual, classe média e cheia de privilégios definitivamente estou longe de ter a vivência de outras mulheres tão oprimidas pela sociedade pela sua cor, sua classe social, sua sexualidade e tantas coisas que nos faz diferentes. Nunca na vida terei suas experiências e por isso falo pela minha, somente pela minha. E apenas ouço as outras e tento aprender com elas. Mas tento diariamente fazer minha parte pra que esse mundo seja menos opressor pra todas. Pra mim isso é possível independente de divergências ideológicas simplesmente porque respeito a próxima, respeito sua fala e não agrido ninguém.

Com certeza serei criticada por ter uma visão paz e amor do movimento. Nem é minha intenção. Acredito de verdade que para haver uma revolução é necessário todas as quebras de paradigmas e ir fundo na discussão do movimento. É preciso que cada parte dele seja revisado e rediscutido porque mina empoderada é mina que sabe o que fala. É preciso o fim do racismo, do preconceito de classes, do controle dos corpos. É preciso de alguma forma que se rediscuta a relação entre a mulher pobre e a mulher rica que tem feminismos tão diferentes e objetivos de vida tão diferentes, assim como a mulher branca e a mulher negra com representações tão opostas dentro da história. É preciso respeitar a diferença e não oprimir. Seja atenta a si mesma e a próxima e se pergunte: o que eu posso fazer hoje pra criar uma real igualdade entre mulheres tão diferentes? Apoie sempre as irmã.

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